sábado, 7 de abril de 2012

O CONTO A BILIOTECA DE LIMA BARRETO








Ao ler este conto confesso que me deu certa melancolia. A história narra à decadência decorrente das mudanças históricas. 

“ À proporção que avançava em anos, mais nítidas lhe enviam as reminiscências das cousas da casa paterna. Ficava ela lá pelas bandas da Rua Conde, por onde passavam então as estrondosas e fagulhentas “ maxambombas” da Tijuca. Era um casarão grande, de dous andares, rés-do-chão, chácara cheia de fruteiras, fâmulas, escravos; e a escada que servia os dous pavimento, situada um pouco além da fachada, a desdobra-se em toda a largura do prédio, era iluminada por um grande e lara claraboia de vidros multicoloridos...”

Como se percebe no primeiro parágrafo, o protagonista é um senhor que pertencia a uma família nobre da época do Império. O casarão dos seus antepassados com seus objetos de valor foram desaparecendo, principalmente, quando a Monarquia deixou de existir e a República a substituiu.  

Quando isto aconteceu, no conto é muito bem descrito, houve uma mudança do pensamento intelectual. A erudição da formação das famílias nobres foi trocada pelo a burocratização racional. Na nova época o importante é estudar para arranjar um bom emprego e não mais acumular saberes. O conhecimento técnico é valorizado. Logo, o protagonista resolveu ser funcionário público para sobreviver, mas nunca se esqueceu dos seus antepassados cultos. 

Aos longos dos anos, conseguiu salvar a biblioteca do avô e do pai, apesar de não compreender a funda os livros. Na realidade, os livros serviam como recordações de uma época. Quando constitui família, teve a esperança de que os filhos fossem lê-los, mas escolheram uma vida mais prática. 

“ Pôs-se a contemplar os volumes nas suas molduras de vinhático. Viu o pai, o casarão, os moleques, as mucamas, as crias, o fardão do seu avô, os retratos... Lembrou-se mais fortemente de seu pai e viu-o lendo, entre aquelas obras, sentado a uma grande mesa, tomando de quando em quando rapé, que ele tirava às pitadas de uma boceta de tartaruga, espirrar depois, assoar-se num grande lenço de Alcobaça, sempre lendo, com o cenho carregado, os seus grandes e estimados livros.”

No final do conto, ao perceber que os livros estavam mortos, por ninguém dos seus herdeiros os lerem, resolveu queimá-los. Porém, por que não os doou para bibliotecas públicas? Para o protagonista aquele saber não era para qualquer um, principalmente nas mudanças sociais da sua época, onde todos desejavam bons empregos e viver bom com a família. O mundo não era mais digno aos livros dos seus antepassados.

De repente, senti medo de não conseguir ler e compreender os livros que tenho. Não ter o tempo necessário. Também, não queria ser como protagonista, de guardar livros e nunca os assimilar. A velocidade da vida contemporânea congestiona tanto a mente, que me sito cansado de pensar e conhecer outros saberes. Mas, insisto no hábito da leitura.

Outra reflexão que tive é sobre a relação do tempo. Tudo bem que não podemos nos prender ao passado, mas só viver o presente é ruim. Para compreender o que acontece hoje, precisa-se conhecer o passado. Por isso, não concordo com este progresso que derruba outros saberes do passado.