domingo, 30 de outubro de 2011

ESVAZIAMENTO( crônica antiga)




Conto de Clarice Lispector narra a história de uma amizade e sua deterioração. O conto narra, em primeira pessoa, a história de dois amigos que se separam sem que haja uma briga ou traição. Separam-se simplesmente por não mais haver afinidade e pelo empobrecimento da relação entre eles. Contudo, ainda se gostam. Mostra que a amizade precisa ser cultivada, não sendo necessária apenas a presença física, mas, a proximidade existencial para manter o relacionamento.

Destaquei alguns trechos importantes que explicam o título (Esvaziamento):
“Já nesse tempo apareceram os primeiros sinais de perturbação entre nós. Às vezes um telefonema, encontrávamos-nos, e nada mais tínhamos a dizer .” (pág. 77)

“... Que rebuliço de alma. Radiantes arrumávamos nossos livros e discos, preparávamos um ambiente perfeito para a amizade. Depois de tudo pronto, eis-nos dentro de casa de braços abanando, mudos, cheios de apenas amizade.” ( pág.78)

“ Se ao menos pudéssemos prestar favores um pelo outro. Mas nem havia oportunidade, nem acreditávamos em provas de uma amizade que delas precisava. O mais que podíamos fazer era o que fazíamos: saber que éramos só amigos. O que não bastava para encher os dias, sobretudo as longas férias.” (idem)

“... Sabíamos que não queríamos nos rever. E sabíamos também que éramos amigos. Amigos sinceros”. ( pág. 79)

No final do conto, mesmo continuando amigos, os personagens vão por caminhos diferentes. Isso pode acontecer em qualquer relação afetiva. Mesmo havendo sentimento, a angústia da existência de desejar algo mais, como a procura de uma identidade e novos caminhos, separa as pessoas.

Embora distantes, os dois continuaram amigos. Ao final, preferiram a distância física a ter que conviver com a hipocrisia de um relacionamento vazio e medíocre.

Esse conto me marcou bastante, porque já tive a experiência de esvaziamento e não conseguia defini-la, mas a sentia.

*ONDE ESTIVESTES DE NOITE. Editora Rocco, 1999
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OFF

Ao reler este texto percebi que cometi micos horrendos, como citar Sartre sem ter lido um livro completo dele. Só consultei um, que fala sobre a sua teoria. Juro que numa mais escreverei sobre pensamentos que não conheço profundamente. Prefiro escrever pouco e ser autêntico a citar superficialmente. Sinto-me vazio e um mentiroso.