domingo, 2 de outubro de 2011

“ O nosso cérebro não é moderno”


 
Fonte da foto: Revista Época

Li uma entrevista na revista Época que me fez pensar como o ser humano não é perfeito como nosso ego, muitas vezes pensa. Nossa genialidade está na imperfeição e na tentativa de superá-las.

O título da matéria: “ O nosso cérebro não é moderno”*, já evidencia a ideia de que "o cérebro é uma máquina perfeita" está equivocada, apesar de sua estrutura complexa.

O entrevistado é Dean Buonomano, doutor de neurociência pela Universidade do Texas. Escreveu o livro “ O cérebro imperfeito- Como as limitações do cérebro condicionam nossas vidas.”

“O cérebro humano é um conjunto de 100 bilhões de neurônios e 100 trilhões de conexões entre eles, um aparato imponente e... cheio de falhas: a memória nem sempre funciona , a capacidade de calculo é limitada e, definitivamente, não adaptados às exigências do mundo moderno”

Este é o tema central do livro e comecei a pensar sobre o barato do cérebro humano não está na capacidade de calculo ou armazenamento de dados. Mas a capacidade de lidar com as situações e as emoções. Como disse o entrevistado: “ O cérebro não foi moldado para ter a capacidade de cálculo de um computador que se exige dele hoje em dia. Se nosso ancestral via cobras, corria, não contava.”

Este paradigma pode servir para questionarmos o turbilhão de informações que o mundo contemporâneo produz. O que é melhor? Ler uma notícia e tentar assimilá-la ou tentar memorizar várias informações sem senso crítico?

Por exemplo, com a internet chove sites de pesquisas inesgotáveis e que muitas vezes não são confiáveis. “ O cérebro humano pode ser convencido inconscientemente. Ele pode associar conceitos caso seja exposto de forma contínua e prolongada a alguns estímulos. É o que fazem os publicitários com imagens, sons e aromas.” ( Dean Buonomano)

Por isso, o cérebro precisa de tempo para avaliar os dados e perceber o que presta. Senão vamos consumir lixo de informações.

Outro ponto que me chamou a atenção na matéria foi o que o neurocientista disse sobre o preconceito: “Minha hipótese é que o cérebro está predisposto a desenvolver medos seletivos por certas coisas que eram ameaças no passado, como as cobras. Muitos pesquisadores acreditam, e eu concordo, que também estamos predispostos a desconfiar de gente que é muito deferente de nós. Hoje pode ser um  erro, mas era uma boa adaptação do passado.”

Sempre intuí que o preconceito vem de um lado bem antigo do ser humano, como forma de proteção e hegemonia dos grupos sociais. Portanto, por ser um mecanismo de defesa ancestral. Devemos discutir sempre e refletir, superando velhos juízos de valores. A busca de um conhecimento reflexivo é o caminho para superação do cérebro.

Enfim, mais um golpe no ego do Homem, que sempre se achou superior na História do planeta.

* 19 de setembro de 2011