terça-feira, 15 de novembro de 2011

ESPELHOS



Acabei de ler Esaú e Jacó de Machado de Assis. É um livro misterioso, pois a narrativa machadiana, não é novidade para ninguém é oblíqua. É um autor conciso e foge da corrente literária naturalista, vigente na época.

No seu penúltimo romance, Machado de Assis arquiteta uma nova forma de narrar e proporciona uma alegoria dos conflitos políticos brasileiros do seu tempo por meio da história de dois gêmeos incompatíveis.

O enredo de Esaú e Jacó centra-se na história dos gêmeos Pedro e Paulo. Suas disputas, são iniciadas no útero materno, estendendo-se por toda a vida. Seus temperamentos são opostos: Paulo é republicano e Pedro monarquista. O que os une é a mãe, depois Flora, que ama dos dois e morre doente por não conseguir escolher.

Machado de Assis se utiliza de referências bíblicas para mostrar que os gêmeos são rivais, não por disputas de políticas, dinheiro e amores. Mas, há elementos míticos e místicos ancestrais que impulsionem a rivalidade entre eles. Há questão do jogo de imagens no espelho. Um é reflexo do outro, mas são invertidos. Quem nunca percebeu que as letras ficam ao contrário refletidas no espelho.

De repente, me lembrei do livro de contos do Borges O ALEPH, no qual os contos me chamaram mais atenção: História do guerreiro e da cativa, A escrita de Deus, O imortal, Biografia de Tadeo Isidoro Cruz (1829-1874). Porque me fizeram compreender a concepção de universo do escritor, mostrando que nada no mundo é original, mas reflexos que produzem um labirinto de espelhos, formando o infinito.

Em Esaú e Jacó, apesar dos fatores históricos e sociais, Machado(como Borges) mostra como os mitos estão vivos dentro da gente e que na “ História da humanidade” há um labirinto de espelhos que independente do espaço e do tempo, os mitos e as histórias antigas se manifestam.

Realmente é um livro de várias interpretações e que mostra como Machado é um autor de uma narrativa a frente do seu tempo.