domingo, 20 de novembro de 2011

CISNE NEGRO






Assisti CISNE NEGRO, que é um tipo de filme que faz a gente pensar depois do término da sessão.

A história do filme é de uma jovem bailarina dedicada que almeja o papel de destaque no balé O Lago dos Cisnes, que narra a história da princesa Odette que é enfeitiçada por um bruxo malvado, transformando-a em cisne branco.

Com o tempo, ela se apaixona pelo príncipe, que depois se envolve com a linda filha do bruxo Odile, vestida de negro e com a aparência idêntica à de Odette. O Príncipe fica enfeitiçado pela beleza e sensualidade de Odile e se apaixona.

Logo, a nova jura de amor anula a promessa feita à Odette que permanecerá para sempre presa ao feiticeiro. O príncipe percebe o engano, mas é tarde demais e Odete se joga do precipício, encontrando a paz.

A história do filme faz uma analogia com este balé. Principalmente, na questão do antagonismo das imagens. Odette e Odile são idênticas, mas ao mesmo tempo opostas.

Nina, a protagonista, é uma jovem aparentemente angelical, porém sofre de problemas psicológicos e existência. Ao se olhar no espelho e para outras pessoas, vê outra Nina que é completamente diferente dela. O alicerce do filme é a questão da dualidade da imagem, o duplo. Este fato se agrava à medida que a obsessão da perfeição para desempenhar o cisne branco e o negro vai se agravando.

Uma vez, ouvi uma psiquiatra comentando que a personagem do filme é esquizofrênica e que construía outras realidades. O indivíduo que sofre este transtorno mental sofre por uma fragmentação da estrutura básica dos processos de pensamento, acompanhada pela dificuldade em estabelecer a distinção entre experiências internas e externas.

Mas, a meu ver, usar uma interpretação psicanalítica numa obra de arte qualquer, pode-se ocorrer um empobrecimento na interpretação imaginativa. O Cisne Negro mostra que o indivíduo não é uno, mas duplo ou diverso. Há forças antagônicas e ancestrais dentro da gente. Os mitos e as histórias bíblicas sempre revivem na gente.

Vivemos nos controlando, mas quem nunca teve desejos e pensamentos que ruborizam o rosto e a alma? Já me senti violentado por sentimentos e ideias estranhas a mim.

Não é só o esquizofrênico que é partido, todos nós somos. Entretanto, precisa-se administrar estes lados como bons zeladores de nós mesmos.