segunda-feira, 19 de março de 2012

PANTELEÓN E AS VISITADORES DE VARGAS LLOSA(1973)






Confesso que demorei alguns anos a ler este livro. Parei e recomecei várias vezes. Não foi um romance que me tocou como A Casa Verde( do mesmo autor). Mas, insisti porque a história não deixa de ser interessante.

Anos atrás, nos tempos da faculdade, um professor tinha recomendado o filme PANTELEÓN E AS VISITADORES e fui assistir. Nem sabia que a película era inspirada na obra de VARGAS LLOSA. Então, comecei a procurar o romance e quando achei, nem o li por causa do livro.

Algum tempo depois, fiz um curso de literatura hispano-americana e tive que escolher um livro para a monografia de final de curso. Não pude escolher PANTELEÓN E AS VISITADORES, pois não pertencia a grade do curso. Resolvi ler A Casa Verde. Vargas Llosa emprega inúmeras técnicas literárias para montar um romance complexo e que mostra os problemas sociais e as injustiças que ocorrem na América Latina. Além de beber na fonte do gênero realista e naturalista, rompe com a narrativa linear. Narra anacronicamente cinco histórias que se cruzam, simultâneas e fragmentadas, as quais se desmembram em dois lugares distantes e diferentes: Piura, lugar árido e Santa Marie de Nieva, região da Floresta Amazônica. A Casa Verde é um prostíbulo, onde algumas personagens das diferentes histórias se encontram.

Já, o segundo livro que irei escrever, não é tão complexo, porém, tem um senso crítico e faz uma reflexão sobre a sociedade. Pantaleón Pantoja tem um juízo de disciplina profundo. É encarregado pelo Exército peruano de organizar um bordel itinerante. Sua missão é restringir as taxas de estupro nas zonas militarizadas, oferecendo prostitutas aos soldados e que não haja mais abandono de soldados, que muitos estavam se transformando em fiéis da seita religiosa “ IRMANDADE DA ARCA”. Em cartas enviadas a seus superiores, ele relata o seu sucesso e os testes que faz pessoalmente com as visitadoras. O que chama a atenção no livro é a mistura de técnicas narrativas: Relatórios, cartas, linguagem de locutores de rádio e redações jornalísticas. Estas diferentes narrativas compuseram a história, mostrando que há diferentes olhares que formam a realidade.

Os conflitos do romance são Civilização X Barbarie e Razão X Fé pagã. Pantoja aceitou a missão e quis dar o melhor de si. Institucionalizou militarmente os serviços das visitaras e as encarou como soldados que serviam a pátria. Mesmo, que tenha sucumbido aos desejos, apaixonou-se pela visitadora “ Brasileira”, mantinha a disciplina do bordel e fez planejamentos administrativos e empresarias para estimular as “moças” no trabalho. Contrapartida, a selva e seus calores que impulsionavam a sexualidade dos militares e dos habitantes do lugar. Também, no livro há história do fanatismo religioso de “ Irmandade da Arca”, que fazia sacrifícios em nome da salvação do mundo e seu crescimento preocupava as autoridades( Estado Laico).

Percebe-se que o autor mostra nesses conflitos o pensamento conservador e hipócrita da sociedade da época e como Pantoja não compreende esta falsidade, devido ao raciocínio metódico e puro. Seus superiores, não concordam que ele trate as visitadoras como servidoras da pátria. Todavia, vai até as últimas consequências...

Enfim, vale a pena ler o livro e A CASA VERDE também.