terça-feira, 7 de agosto de 2012

A MULHER QUE ESCREVEU A BIBLÍA DE MOACIR SCLIAR




Talvez seja um problema, mas a maioria dos livros que tenho em casa é de ficção. Adoro uma boa história e nunca me liguei de ler livros filosóficos, históricos e políticos. Meu tezão é ficção e ponto final.

Neste livro, nem quis saber das fontes históricas. Devorei a narrativa que contava a história de uma mulher feia e rejeitada que procurava seu lugar no mundo. Desprezada por todos, inclusive, pelo marido: O Rei Salomão. Confesso que achei estranho quando a personagem dizia mais ou menos assim: “ Salomão está cagando pra mim” ou “ Estou cagando pros anciões”.

A histórica começa com um historiador que se torna um famoso terapeuta de vidas passadas. Ao longo das sessões, fica atraído por uma paciente que lhe envia um manuscrito revelando que nas vidas passadas foi a esposa mais feia de Salomão. Ela vai embora sem deixar vestígios.

“ Continuo atendendo minha clínica, mas tenho pensado seriamente em mudar de rumo, em retornar o estudo da História. Vou ganhar menos, e me incomodar mais, mas espero não ter desilusões. Quero esquecê-la.
Que mais? Ah, sim, ela era feia.”

A personagem tem consciência de sua fealdade e quando aprende a escrever( nessa época a mulher nem podia imaginar praticar este ato), descobriu outras formas de conviver com as dificuldades. Há várias passagens no livro em que mostra a visão irônica da personagem em relação a sociedade preconceituosa e patriarcal da época e, principalmente, tirando sarro dela mesmo.

O livro é muito criativo e li sem dificuldades. Entretanto, apesar do texto leve e muitas vezes de baixo calão, fez-me pensar como o conhecimento pode nos fazer superar as dificuldades. Ela era feia, porém sabia escrever e de certa maneira pôde mudar sua história.

Ao fantasiar o regresso da protagonista, o romance revela a vida da jovem mais feia entre as esposas do soberano, porém a única capaz de ler e escrever. Seu dom a levaria à missão de escrever a história da humanidade.
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Já ia me esquecendo... A ironia do texto é muito eficaz e mostra como o falecido autor é um mestre de contar uma boa história. Pois, muitas vezes, me deparo com textos bens escritos, mas frios e chatos.