domingo, 5 de agosto de 2012

ACHADOS




Ontem ( quero dizer no sábado), fui ao CCBB para assistir à peça Raimunda Raimunda com a Regina Duarte. Bem... não foi ela quem escreveu, a peça foi escrita pelo piauiense Francisco Pereira da Silva (1930-1985).



Ao entrar no espaço cultural, corri para ver se encontro um livro de poemas de uma artista polonesa Wislawa Szymborska. Encontrei-o por acaso, quando fui ver Vestido de Noiva de Nelson Rodrigues no mês de abril.




Teve um poema que me tocou bastante e olha que não sou de ler poemas:


Agradecimento (Wislawa Szymborska)

Devo muito
aos que não amo.

O alívio de aceitar
que sejam mais próximos de outrem.

A alegria de não ser eu
o lobo de suas ovelhas.

A paz que tenho com eles
e a liberdade com eles,
isso o amor não pode dar
nem consegue tirar.

Não espero por eles
andando da janela à porta.
Paciente
quase como um relógio de sol,
entendo o que o amor não entende,
perdôo,
o que o amor nunca perdoaria.

Do encontro à carta
não se passa uma eternidade,
mas apenas alguns dias ou semanas.

As viagens com eles são sempre um sucesso,
os concertos assistidos,
as catedrais visitadas,
as paisagens claras.

E quando nos separam
sete colinas e rios
são colinas e rios
bem conhecidos dos mapas.

É mérito deles
eu viver em três dimensões,
num espaço sem lírica e sem retórica,
com um horizonte real porque móvel.

Eles próprios não vêem
quanto carregam nas mãos vazias.

"Não lhes devo nada" -
diria o amor
sobre essa questão aberta.

Na minha interpretação o poema discute a liberdade de não amar. Tudo fica menos pesado. Muitas vezes, o amor se torna uma idealização difícil de concretizar. Temos obrigações com elas e o sentimento de posse chega a ser obsessivo. 


Bem, esta foi minha interpretação particular e não definitiva.

***
Outro fato interessante, quando entrei no CCBB vi um monte de estátuas espalhadas de uma exposição que ainda acontecerá (Corpos presentes de Still Being).

Como estavam espalhadas pelo espaço de certa maneira interagiam com as pessoas. As pessoas não esbarravam nelas e mesmo com uma concentração de gente, tudo fluía bem. Por exemplo, colocaram uma estátua bem em frente de uma pequena escada que leva a uma lanchonete.

Logo pensei que poderia provocar um acidente. Mas, as obras interagiam com a gente. Isso é outra impressão particular, talvez alguém vai ler e achará tudo uma bobagem.












***





Agora, comentarei sobre a peça, um divertido épico sertanejo que conta a saga de uma cearense pobre e miserável que parte para o Rio de Janeiro para se formar em enfermagem.  Mas, O destino mostra outro caminho e ela vira “madame”.  Como espectador não senti a hora passar e quando acabou, deu-me o gostinho de quero mais. A Regina Duarte e os outros atores estavam muito engraçados.

Além de a história ter muito humor, não deixa de levantar uma crítica à sociedade. Principalmente, quando a protagonista na sua jornada, perde sua essência e tropeça por aí pelo mundo.
O preço da peça foi seis reais e o teatro estava cheio. E quando terminou a sessão, todos aplaudiram de pé.

Enfim, meu sábado foi de diversão e de achados.