terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Na Praia de Ian McEwan




À primeira vez que ouvi falar deste livro foi em um programa da Saia Justa, apresentado pela Monica Waldvogel, se não me falha  a memória... Bem, ela falou um pouco sobre o livro e me interessei. Anos depois, consegui baixa-lo para ler.

O romance começa, quando Edward Mayhew e Florence Ponting, respectivamente virgens e educados, hospedam-se em um hotel na praia, para celebrar sua noite de núpcias. Ele é um rapaz recém-formado em história, de origem provinciana, cuja mãe é deficiente mental, e o pai é professor secundário. Ela é uma violinista promissora, líder de seu próprio quarteto de cordas, filha de um industrial e de uma professora universitária de Oxford. Além de suas histórias de vidas interiores, viviam num contexto histórico que os influenciam de alguma forma suas respectivas personalidades.   Casaram-se no início dos anos sessenta do século vinte, antes da revolução sexual e a quebra de tabus no final dessa década. Ainda apanharam a influência do conservadorismo e puritanismo britânico, que visavam o respeito e recato nas relações sociais, não se preocupando com a essência dos indivíduos.  Em várias partes do livro, as descrições dos moveis e aposentos são definidos por serem pesados e antigos. O desajeitado encontro íntimo deles, ainda marcados pelos resquícios da repressiva moral vitoriana, é abarrotado de experiências cômicos e comoventes, que mudarão o  destino  de ambos.

Logo, o que era para ser um paraíso, a lua de mel, torna-se um verdadeiro desastre. Edward desejava consumar o amor que sentia por  Florence e ela apesar de amá-lo sentia repulsa quando ele a tocava. Na verdade, o casal vivera numa incomunicabilidade, uma vez que idealizaram a relação que possuíam. Representaram um para o outro para satisfazer à sociedade da época. E quando descobriram isso, ficaram à deriva e pequenos mal-entendidos e ofensas bobas ser transformaram em tsunamis em copo d´água, os quais que só o tempo mostrará que foi tudo bobagem.

Realmente, o enredo do livro é envolvente e o que me chamou a atenção, também, foi que o romance é de poucas páginas e mesmo assim mostra uma história coesa e que nos leva a pensar sobre o sexo não como um simples ato sexual, mas um fato social repleto de símbolos construídos a partir dos valores de uma época. Outro fator que deixou a leitura do livro bem interessante é uso do Flashback, com o intuito de narrar a história dos protagonistas e o narrador em terceira pessoa alternava a perspectiva de Edward e Florence.

Na Praia reafirmou ainda mais a ideia que tenho sobre como devemos procurar nossa individualidade e não ficar na superfície de desempenhar papéis sociais, pois assim, tornar-se-á alguém perdido que se assemelha a uma barata tonta. Enfim, a verdadeira revolução vem do autoconhecimento.