quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

À SEGUNDA VISTA




O poeta Zizo confecciona um pequeno tabloide anarquista.  Ele vive no subúrbio da cidade de Recife, e criticando as classes sociais mais altas, seu cotidiano é cercado de sexo, drogas e muita poesia que inspira a vida de seus amigos e vizinhos.  Zizo queria conscientizar os “miseráveis” de suas condições e pregava a anarquia, já que era contra as instituições de poder.
Na primeira vez, quando quis assistir FEBRE DO RATO, não consegui. As cenas de sexo e os diálogos me enojavam, apesar da bela fotografia em preto e branco e a excelente interpretação dos atores. Alguns participaram de “novelas globais” e nem se importaram com exposição do corpo no filme. Desisti, pois, não aguentei de ver o grotesco das promíscuas relações sexuais, os personagens pareciam bichos. Então, deixei passar o tempo e assistir ao filme de novo.

Tempos depois, ao revê-lo novamente, compreendi que as cenas cruas e nauseantes de  FEBRE DO RATO não eram gratuitas, havia uma proposta de mostrar como os personagens eram contra o status quo da sociedade, que é conservadora e elitista. Não sei se estou correto, FEBRE DO RATO não usa classicamente a dialética entre ricos, pobres e como estes devem reagir.  Foi além, abordando a questão de gênero e a liberdade de amar-transar sem limites.

Assim sendo, viviam à margem da sociedade e a única lei que seguiam era do desejo. Mas, apesar de entender o contexto do filme, não consegui gostar dele. Reconheço que é um filme de qualidade artística e bem feito, só que não me afeiçoei a ele. Diferente de outros filmes que nos marcam na alma.
Também, esse lance de promiscuidade não me agrada muito. Liberdade sexual não é isso. Há tantas doenças sexualmente transmissíveis, será que vale a pena segundos de gozo e, em seguida uma vida de sofrimento? Eu acho que não.

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Curiosidade... Pesquisando sobre o filme, descobri que o diretor Cláudio Assis fez Baixio das Bestas( 2007), outro filme que é um soco na boca do estômago. Foi a sensação que tive, quando o vi.