quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

DESTERRADO( texto antigo)



 Ao acaso observa um grupo, são estrangeiros que passeiam pela cidade. Sente inveja, estão numa terra estrangeira e voltarão para casa. Ele está perdido, apesar de ter nascido por estas bandas. Não se identifica com seu povo. Um dia lhe disseram: Nasceu aqui e nunca saiu de sua terra natal, porém consegue ser mais estrangeiro do que eu, que vim de muito longe... A única coisa que gosta, é da cidade e do ruído que ela produz; preenche seus vazios. Tenta se recordar das lembranças mais remotas; vai de encontro às lembranças esparsas, depois ao nada. Outro dia, encontrou o diploma da faculdade e estranhou ao ler seu nome. Às vezes, sua cabeça faz peripécias; conversava com um conhecido de anos e do nada uma sensação de estranhamento surgia. Foi ao médico, que disse que estava tudo bem e que precisava deixar de inventar besteiras. Como sempre continua entorpecido, não consegue se apaixonar por coisas concretas ou abstratas. Ao olhar o homenzinho de braços abertos lá no alto, sente um leve conforto no peito, já ouviu várias histórias sobre Ele e mesmo não se aprofundando nelas, sabe que o homenzinho é um cara legal. Segue o caminho de sempre, sem surpresas... Por enquanto. O grupo de turista entra no museu mais famoso da cidade, que nunca teve vontade de conhecer. Detalhe, não sabe se sente genuinamente estas reflexões ou as plagiou de alguns fragmentos de filmes ou dos poucos livros que leu, para fazer os trabalhos da faculdade.