domingo, 9 de novembro de 2014

ENQUANTO A AULA DE MATEMÁTICA CORRE SOLTA...( texto de 2007)


Assisti a um filme erótico em que uma atriz cheia de caras e bocas diz para outra que para sentir orgasmo, precisava se masturbar. “Como quer que seu marido lhe dê prazer, se você não conhece o seu corpo?”. “ Nunca pensei em me masturbar. Sou muito tímida, só transei com seis homens na minha vida”. “ Querida, transei com meia dúzia esta semana. Você precisa se conhecer”. A atriz cheia de caras e bocas começa acariciar todo o corpo da tímida e reprimida, que pela primeira vez, sente um orgasmo profundo. Realmente, a masturbação é uma coisa tão simples. É como fazer cafuné em si mesmo e tirar meleca. Há ainda muito tabu, principalmente, por ser considerada uma ameaça à preservação da espécie humana. O individuo que se dá prazer, não precisa do outro, logo, não procria. Por outro lado, essa ideia não tem nada a ver e esta prática tão corriqueira pode ajudar ainda mais na relação. O sexo é bestial, a busca pelo prazer vem do conhecimento humano. Caramba, não posso pensar nisto agora. Devo me concentrar na aula de matemática. Quero me concentrar num ponto, mas os meus pensamentos sempre foram desordenados. Ultimamente, tudo me leva a tentar escrever um conto. Sou compulsivo em escrever contos, será que tem tratamento psicológico para isto? Nunca entendi números, por isso, admiro algumas pessoas que argumentam que os cálculos são verdadeiros poemas de puro lirismo. Uma vez, vi um rapaz barbudo dizer a mesma coisa com lagrimas nos olhos. Seu rosto traduzia a verdadeira felicidade. Confesso que tenho medo até de fazer teste de Qi e descobrir algo que não vou gostar. Até comentei com minha amiga psicóloga, que me falou: “ Até no retardo há genialidade”. Lembrei-me do filme Forrest Gump.  Minha ficou iluminada com a revelação. Guardarei suas palavras pelo resto da minha vida. Viajei na maionese de novo, e a aula matemática correndo solta.  Ao passar das horas, uma imensidão de números surge no quadro branco. Passado e presente se misturam em mim. Vejo-me aquele menino de outrora, apático a tudo e a todos. Agora, tenho sonhos e obrigações. Não estou parado. Estou indo à luta!! Ih!!! Já acabou a aula de matemática!