domingo, 6 de abril de 2014

PUBIS ANGELICAL DE MANUEL PUIG( 1979)




Bem, depois de ler o livro, pensei outra vez sobre a liberdade. Será que somos livres realmente para exercer nossa individualidade? Ou só somos corpos que vestem máscaras sociais, que nos antecedem por gerações?

A história conta a vida de uma mulher argentina que está em um hospital do México, sofrendo alucinações. A narrativa têm relatos paralelos, o primeiro começa como se fosse um delírio ou sonho e a outra parte é a personagem revelando conscientemente seus problemas.

Os relatos se juntam e dão um panorama de como a personagem se vê submissa à sociedade feita pelo olhar masculino. Puig estrutura os significados do gênero e da ordem social a partir da submissão.

   O livro mostra que o poder não está só de fora para dentro, mas também ao contrário. No interior da personagem, ela leva modelos e arquétipos seculares. A submissão a perseguiu desde quando nasceu.

Em muitas ocasiões, é complicado o indivíduo desempenhar papéis que a sociedade impõe. No romance, mostra-se o sofrimento das mulheres que se submetem a um idealizado amor em todos os lugares e em todas as épocas fantasiosas ou reais. E a dificuldade em participar da revolução e a luta contra aos poderes oligárquicos.

Enfim, o livro me fez perceber ainda mais como é difícil de ser conseguir a liberdade  individual.  Talvez, descobrir não ser livre totalmente é um jeito de se aproximar da liberdade, pois assim estamos conscientes e não automatizados pelo cotidiano.