sábado, 26 de abril de 2014

A Revolução dos Bichos de George Orwell (1945)




Quando terminei de ler o livro, senti-me um pouco pessimista, foi a mesma sensação ao ler 1984 do mesmo autor. Pois, faz pensar como somos presos ao Sistema e que a tão sonhada liberdade individual é complicada de se conseguir.  Inclusive, que a igualdade entre os indivíduos continua em um plano utópico.

Bem, antes de dizer minhas impressões, preciso dar uma contextualizada. Não posso colocar palavras que o escritor não disse. A Revolução dos bichos faz uma sátira em relação à União Soviética Comunista, como 1984, que se baseia nos regimes totalitários comunistas, que massacra os direitos individuais em relação ao coletivo.

A Revolução dos Bichos é um livro pequeno, mas dá uma aula sobre os mecanismos de uma revolução. Os bichos se revoltam contra o autoritarismo dos homens e tomam a granja do Sr. Jones para eles. Os porcos, como são mais inteligentes, dominam a situação. 

No início, faziam hinos e mandamentos pregando que todos os bichos eram iguais, trabalhando juntos para manter a fazenda.

“1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.
2. Qualquer coisa que ande sobre quatro pernas, ou tenha asas, é amigo.
3. Nenhum animal usará roupas.
4. Nenhum animal dormirá em cama.
5. Nenhum animal beberá álcool.
6. Nenhum animal matará outro animal.
7. Todos os animais são iguais.”

Porém, com o passar do tempo, há mudanças e os porcos se transformam em verdadeiros déspotas. Logo, modicam os mandamentos a partir de seus interesses.
“4. Nenhum animal dormirá em cama com lençóis.
5. Nenhum animal beberá álcool em excesso.
6. Nenhum animal matará outro animal sem motivo.
7. Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais que os outros.”

O interessante é observar que os porcos dominam não pela força, mas ideologicamente os outros animais. Faziam uma verdadeira lavagem cerebral, manipulando a história e a memória dos outros bichos. Dominar ideologicamente é mais eficaz que a força, porque quando dos desmandos são preenchidos por conceitos, até a força bruta é justificada.
Os porcos tornam-se os antigos carrascos, os homens.

“ Doze vozes gritavam, cheias de ódio, e eram todas iguais. Não havia dúvida, agora, quando ao que sucedera à fisionomia dos porcos. As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco para um porco para um homem outra vez; mas já era impossível distinguir que era homem, quem era o  porco.”
Então, fico ainda mais desiludido porque o romance não é distinto da realidade: " Que todo mundo é farinha do mesmo saco" ou " Quando se reúne mais de um individuo, a ideologia original é desvirtuada.".

Mesmo que o autor se refira a regimes totalitários comunistas, podemos utilizá-lo para comparar o que aconteceu em outros países, como o Brasil. Por exemplo, um partido de “esquerda” assumiu o poder, mas tornou-se bem parecido com os de “ direita”.

 Enfim, A Revolução dos bichos é uma leitura que pode ajudar num olhar mais crítico sobre a história e como não podemos acreditar em mudanças rápidas que quebrarão rupturas. Pois, quando se junta pessoas, a ideologia original sempre será deturpada e nunca sairá como no plano utópico.