domingo, 10 de novembro de 2013

EDITAR-SE





Não sou bom em tecnologia, só agora( estou com o aparelho há um ano) descobri que meu celular edita fotos. Então, comecei a mexer nos meus retratos.

Comecei a pensar que esse processo de cortar os “ defeitos” e enaltecer as virtudes não é só usado na fotografia, mas a vida inteira. Principalmente na arte da sedução, que se exibe sempre a versão melhorada da pessoa.


Porém, isso é justo? Porque quando se interfere na imagem, pode se tornar outro. Por exemplo, só mostro o lado que considero bom de mim, a outra pessoa concluirá que sou do jeito que estou mostrando. Mas, quando conviverá comigo, verá que não sou o que eu disse ser.

Sou mentiroso? Talvez a questão não seja tão simples assim. Li uma citação de Sartre:  "O homem não é a soma do que tem, mas a totalidade do que ainda não tem, do que poderia ter."

Não sei se interpretei direito, mas a citação mostra que a formação da existência humana não se constrói no que homem é na realidade, mas, sim, na idealização do que ele quer ser ou no que poderia possuir, se fosse escolher outro caminho.

Quando nos editamos, muitas vezes não estamos mentindo, mas expomos o que desejamos ser ou que poderíamos nos tornar.  Quem sabe, o interessante é juntar a realidade, o ideal e a possibilidade, para  revelar nossa verdadeira essência.