LIBERDADE





Quando fui ao médico hoje, deparei-me com um mendigo se lavando de bermuda. Estava numa fila para pegar autorização para consulta e todos ficaram o observando. Todos, inclusive eu, achamos uma cena estranha numa manhã terça-feira fria um cara tomando banho de mangueira. A água deveria estar geladíssima. 

Ouvi uma mulher dizer: “ Ele é livre, não tem preocupações e nem conta para pagar.”. Ser livre nessas condições? Não entendo. Confesso que tenho dois medos: a loucura e de virar mendigo. Perder a razão e a dignidade é uma morte simbólica para mim. 

Entretanto, será que ele prefere viver na rua a viver numa casa? À mercê das condições climáticas e de psicopatas que adoram queimá-los vivos? Preço alto para ter liberdade.  

Muitas vezes as obrigações do cotidiano sufocam, sinto-me um passarinho cativo na gaiola. Quero fugir e viver vivendo. Ao mesmo tempo, tenho medo disso. Não sou selvagem o bastante.

Tirando a questão de problemas sociais e econômicos, existem pessoas que preferem viver nas ruas.  São como animais selvagens que não consegues se adequar às regras da sociedade. 

Curioso é que tive a sensação que quando observávamos o mendigo, não sentimos só asco pena, mas também inveja da liberdade de se lavar na rua, sem se preocupar com os olhares alheios, que se transformam em prisão. 

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