sábado, 5 de março de 2011

OUTROS OLHARES

Sobre o livro
Fractais - de Sílvio Vasconcellos  por Angela Schnoor



Hoje tanto se fala e se publica minicontos de todos estilos e qualidades. Ao receber os Fractais do Silvio Vasconcelos li com prazer e surpresa agradável por não encontrar preocupação do autor com padrões definidos e muito menos rígidos.
São mesmo Fractais, estruturas complexas que se repetem em várias escalas sem prisão a contagens de palavras ou limites de caracteres.

Os fragmentos escritos por Silvio nos fazem refletir sobre as ironias da vida, os desencontros e as frustrações. Mas não se trata de um livro pesado, pois é com humor que desfila os fracassos amorosos; é poético, às vezes triste, e ainda brinca com as palavras como, por exemplo, no conto que sibila:

SAUDADES
São silenciosas suas sombras, sinuoso seu silêncio, singular seu sofrimento. Só, sua sina sucumbe saboreando sentimentos, sede sufocante, salgada,sobrepondo-se sorrateiramente sobre seu semblante. (pg 83)
Ao lado da linguagem poética, o autor ainda encontra espaço para a contundente crítica social, em
DIFERENTES PERDAS
- Sr Editor,temos que escolher a foto da capa desta semana.
- A matéria é violência urbana e a infância. O que temos aí?
- Temos centenas de fotos de famílias que perderam filhos com balas perdidas.
- Alguma família branca?
- Sim, uma.
- E qual é sua dúvida? (pg 90)
Após 100 páginas de minicontos em tonalidades variadas, Sílvio surpreende ao brindar seus leitores com histórias de maior porte, se bem que ainda breves e sintéticas.

Noite, (pg 103) resume o dilema entre sonho e realidade que permeia toda a obra. E os contos ENFIM ZULMIRA, (pg 107) e SÚBITO (pg 109) me pareceram textos extraordinários a encerrar e recomendar especialmente a leitura desta estrutura geométrica complexa.