quinta-feira, 31 de março de 2011

NOME PRÓPRIO


Muitas vezes, tratamos os outros como posse. Já escrevi sobre isso.
Lá no cartório, onde trabalho, vejo os pais colocarem nomes esdrúxulos nos filhos e quando são questionados, dizem: “ É meu filho e tenho direito de colocar o nome que quiser.”

Logo, muitas pessoas têm dificuldades pela vida a fora, porque como o nome é complicado, a probabilidade de erro nos documentos é enorme. E além de passar por constrangimentos na escola e na vida adulta também.

Quanto menos grau de instrução a mãe e o pai possuem, percebe-se que a invenção de nomes é evidente. A gente lá do cartório tenta orientar, mas muitos são irredutíveis e a justiça na maioria das vezes fica a favor dos pais, alegando que vivemos num país livre e que os pais podem colocar qualquer nome nos filhos, desde que não rime e se assemelhe com palavras de baixo calão. Artigo 56:" Parágrafo único. Os oficiais do registro civil não registrarão prenomes suscetíveis de expor ao ridículo os seus portadores. Quando os pais não se conformarem com a recusa do oficial, este submeterá por escrito o caso, independente da cobrança de quaisquer emolumentos, à decisão do Juiz competente." http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6015original.htm

Entretanto, ninguém pensa no bebê, que crescerá e terá que prestar bastante atenção para que seu nome não saia errado num documento, ou correndo contra o tempo para retificar depois. Outro caso, é que alguns pais colocam nomes extensos que dificultam até a alfabetização das crianças.

Acho que se deveria ter uma discussão profunda sobre o tema, sem preconceitos de classes sociais e econômicas. Precisa-se buscar o entendimento que os filhos não propriedades privadas dos pais, pelo contrário, os pais são curadores deles.