quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

PENSAMENTOS DIALÉTICOS CONTINUAM


Obra de Márcia X

Depois dos últimos acontecimentos em Paris e a discussão sobre terrorismo, liberdade de expressão e democracia. As autoridades francesas detiveram o humorista Dieudonné  . Condenado por antissemitismo, ele , que liderou uma corrente que se autoidentifica 
com uma saudação pseudonazista, publicou no domingo mensagem no Facebook que dizia “Eu me sinto Charlie Coulibaly”. O humorista não fez a mesma coisa que os chargistas franceses? Cadê a liberdade de expressão e a democracia?

Lembrei-me de um texto antigo meu que abordou um pouco essas questões. Na época, tive muito mais dúvidas que conclusões e anos depois, os questionamentos continuam. Como compreender a verdade, se o mundo é um labirinto de janelas para outros olhares?

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Quando soube que uma obra de arte ( Desenhando em terços de Márcia X) foi censurado na exposição “ ERÓTICA”  no CCBB, achei besteira à primeira vista. Só porque a artista desenhou pênis com terços. Mas depois, me lembrei de que não concordei que um jornal europeu publicou a imagem de Maomé, pois, para  o mulçumano isso é uma blasfêmia. Sempre achei que eles eram injustiçados pelo ocidente. Estou sendo contraditório. Mas o ser humano não deixa de ser ambíguo.

O que é liberdade de expressão? Ela não muda de acordo com pontos de vistas diferentes? Atualmente acho tudo tão complicado, pois tudo se refere a valores subjetivos que são influenciados por um contexto histórico. 

Quando eu fui à exposição, vi diversas manifestações desde artefatos das civilizações antigas  a artistas contemporâneos. Então, se colocasse um quadro em que mostrasse um fetiche masoquista: um nazista violentando uma judia, não chocaria? Mas não é uma representação artística? Muitas pessoas não sentem prazer na dor. Erotismo não mexe com os sentidos e sensações? 

Por outro lado, muitos são adeptos da arte pela arte. Ela tem que ser livre, sem restrições sociais, econômicas e políticas.  Contudo, não precisa haver limites, para que cada um respeite o espaço do outro? Quanto mais penso não consigo ter uma opinião e sim mais dúvidas. Li artigos e opiniões sobre a censura do quadro da exposição erótica. Minha cabecinha ficou embaralhada com tanta informação. Não sei o que escrever. Aí me perguntam, por que escreve então? Leia mais. Mas, preciso colocar na tela do computador. É uma forma de me organizar. O artista muitas vezes não está à frente do seu tempo? Vladimir Nabokov quando escreveu Lolita escandalizou muitas pessoas na época. Apesar de contar a “história de um pedófilo”, o livro faz uma crítica sarcástica e impiedosa da sociedade da sociedade americana de consumo e a hipocrisia da época. O escritor foi transgressor.

O papel da arte não é esse? Construir visões críticas e reflexivas sobre o mundo? Entretanto, não precisa ter um limite, para que não agrida os valores dos outros?  O que fazer? Sinto-me tão contraditório, que me perco nos meus pensamentos dialéticos.

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