domingo, 19 de junho de 2011

A ordem do Discurso de Michael Foucault FOUCAULT, M. A ordem do Discurso. São Paulo: Edições Loyola, 1996.





A ordem do Discurso é um livro que reproduz a aula inaugural de Michael Foucault no Collège de France. Foucault procura mostrar que os discursos que permeiam na sociedade são controlados, perpassados por formas de poder e de repressão. "... suponho que em toda sociedade a produção do discurso é ao mesmo tempo controlada, selecionada, organizada e redistribuída por certo número de procedimentos que tem por função conjurar seus poderes, dominar seu conhecimento aleatório [...]" (p.8-9).

Depois de ler o livro, não deixar de pensar nas citações que muitas vezes parecem nos discursos e textos espalhados por toda parte. Porque, quanto mais a pessoa citar um autor para ilustrar suas ideias, ela terá mais legitimidade perante a sociedade. Principalmente, se ela organizar o discurso. Por exemplo, se pedirmos para duas pessoas falar sobre amor. A primeira argumentará seu ponto de vista e ponto final, enquato a outra organizará seu discurso e citará filósofos e poetas, qual dos dois as pessoas lerão a sério?

Não sou contra as citações, mas acredito que devemos usá-las quando tocam o nosso coração. Quantas vezes quero desabafar algo ou procuro uma palavra para ilustrar minhas ideias e de repente acho um trecho de um texto, o qual ilumina a mente. Entretanto, vários indivíduos as utilizam para mostrar soberba.

Tem um conto do Machado de Assis que descreve, brilhantemente, como há pessoas que utilizam citações como artifícios para expor uma "intelectualidade".

“Entrando na carreira de medalhão, deve se abster de ter idéias. Diz o pai a seu filho que ele se enquadra na carreira por não ter muitas idéias próprias. Com a idade pode ser que elas venham, e o modo de preveni-las sendo fazer atividades que não permitem o surgimento de idéias, como jogos de bilhar, ler retóricas, passeio na rua, desde que seja acompanhado para que a solidão não dê margem a idéias. Pode ir também a uma livraria, para contar uma piada, um caso, um assassinato, mas não para outro fim, pois a solidão não convém ao fim do ofício. Com isso, em até dois anos pode se reduzir bastante o intelecto.”( Parágrafos 15 a 23).

Portanto, será que rechear sua fala e escritos de citações, ao invés de mostrar que sabe profundamente, evidenciará a superficialidades em relação a ele? Em minha opinião, devemos ser verdadeiros em nossos pontos de vistas. Logo, o bom senso administrará a utilização de citações.