sábado, 18 de junho de 2011

A DAMA DO CACHORRINHO [e outras histórias] de Tchékhov




"O que me mata é o cotidiano. Eu queria só exceções." Clarice Lispector( como fonte de Internet é duvidosa, vamos supor que esta citação seja de Clarice.)

Os doze contos do livro tem uma força atemporal, ao lê-los, lembrei-me da música “Como nossos pais” (música de BELCHIOR). As histórias centenárias são muito atuais e são reproduzidas em qualquer esquina de qualquer canto do mundo.

Tchékhov é um dos escritores fundadores da literatura contemporânea. Produz textos sintéticos, que mostram a complexidade do ser humano. Seus personagens são mesquinhos, prosaicos, sonhadores e resignados. Não há heróis, só pessoas vivendo e tentando driblar o cotidiano tedioso.

O conto que leva o título do livro mostra a originalidade do escritor, pois trata a infidelidade não com cores românticas ou trágicas. Os protagonistas são pessoas presas em casamentos infelizes, que tentam viver a verdade do amor. Há uma inversão de valores: o casamento é uma ilusão, enquanto o amor do adultério é a verdadeira essência dos dois. Entretanto não tinham forças para fugirem: “ E parecia que, mais um pouquinho, a solução seria encontrada, e então uma nova vida começaria, uma vida maravilhosa; porém, para ambos estava claro que ainda estava muito longe o fim e que o mais complicado e difícil estava apenas começando.”. Neste conto não há uma tragédia fatal para os amantes pecaminosos.

Os outros personagens dos contos são “gente como a gente”. Levam a vida apesar das desilusões e a monotonia do dia a dia. Confesso que me senti uma personagem de Tchékhov.