sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

CARALHO, TEXTO ESCRITO EM 2014


Imagens encontradas no google

Acordei cedo, mas estou atrasado por causa do engarrafamento. Tem acidente e estou em pé, vendo o tempo escorrer em minhas mãos. Eleição chegando e aí? O que decidir? O velho com cara de novo ou o novo que já está velho? A política mudou tanto, não existe mais ideologia, agora, tudo é poder e hegemonia. Fiquei com preguiça de caminhar hoje de manhã, mas posso andar de noite. Também tem sábado e posso ficar sem caminhar na sexta e no domingo, que deverá estar um caos devido à eleição. O engarrafamento se prolonga e vejo ambulantes vendendo biscoito e água. Quando há estas criaturas no trânsito é porque FODEU. Parado no ônibus, vem outra vez o pensamento de como a gente é marionete. Observo várias linhas saindo dos corpos dos passageiros, transeuntes e até de mim. Será que a gente é gado? Será que meus pensamentos são meus? Ou somente reproduzo ideias alheias? Não quero ser marionete, porém, posso ganhar a liberdade ao descobrir que não sou livre como achava que eu era. Porra, já disse isso antes, caminho em círculos. Estou chegando perto do acidente, as pessoas vivem com tanta pressa que nem valorizam suas vidas. Todos querem ser vencedores, mas se tornam perdedores e peças descartáveis para o SISTEMA. Sou uma peça defeituosa ou o único sobrevivente do Apocalipse Zumbi de Burocratas Entediantes. Há até tratamentos e remédios para potencializar a inteligência, o raciocínio e tornar a raça humana em super heróis, tenho medo disso; o ser humano é formado por seus defeitos e efemeridade. O ônibus acelera, passei o acidente. Tenho a ilusão de que o tempo volta para mim, às vezes, a ignorância é fundamental para sobreviver. Já está na hora de saltar do ônibus. Tchau!