domingo, 6 de março de 2016

O Escafandro e a Borboleta, de Jean Dominique Bauby e A Garota Dinamarquesa



Quando terminei de ler o livro de Jean Dominique, o filme inspirado no seu relato e a Garota Dinamarquesa percebi há semelhanças nas duas histórias, apesar de que os respectivos casos se passarem em épocas diferentes e as origens dos “ problemas” dos protagonistas sejam diferentes. O primeiro ponto em comum é que os relatos são verídicos.

Em O Escafandro e a Borboleta, Dominique Bauby, um jornalista e redator francês sofreu um AVC, acabando por levá-lo a um coma. Retornando à consciência, descobre-se preso na chamada "Locked-in Syndrome" ou Síndrome do Encarceramento. Ele está preso em seu próprio corpo e incapaz de se comunicar com os outros. Então, ele começa a tentar se livrar da sua prisão, quando aprende um mecanismo de se comunicar através da movimentação das pálpebras. Alguém falava as letras e ele piscava. A todo tempo o autor mostra sua inteligência, cultura e experiências, mostrando que apesar de sua limitação, está livre ao dar asas a sua imaginação e a revisitar suas lembranças. O título do livro é fantástico porque exemplifica a situação de Jean Dominique, o escafandro é vestimenta impermeável, hermeticamente fechada que os mergulhadores utilizam para mergulhar em regiões profundas e ele se sente nas profundezas de si mesmo, sem como fugir. Já as borboletas são seu espírito livre que voa aos mundos imaginados e lembranças que acumulou ao longo de sua vida. 

No filme A Garota Dinamarquesa faz uma cinebiografia de Lili Elbe, que nasceu Einar Mogens Wegener e era pintor e foi a primeira pessoa a se submeter a uma cirurgia de mudança de gênero. Aborda a questão da transexualidade, que se refere à condição do indivíduo que possui uma identidade de gênero diferente da designada ao nascimento e apresenta uma sensação de desconforto ou impropriedade em relação ao seu sexo anatômico, revelando o desejo de viver e ser aceito como sendo do sexo oposto. Por que encontrei semelhanças com as duas histórias? Foi a questão do corpo como sendo uma prisão. Os motivos foram diversos, porém, os dois eram presos e suas almas queriam se soltar para viver a liberdade. Por isso, que o livro e o filme são delicados e com um olhar intimista para mostrar um olhar que é massacrado pelo cotidiano massivo e com vários estímulos que reduzem a nossa concentração.