sexta-feira, 28 de agosto de 2015

MAIS CIVILIDADE E URBANIDADE

Quando estava saindo da minha vila, em plena calçada, uma bicicleta quase me atropelou e o ciclista ficou de cara feia, como se eu estivesse errado. Realmente a inversão de valores é devastador e corriqueiro no Brasil. Ninguém respeita o espaço público e o individual, vivemos numa sociedade egocêntrica e egoísta.

Outra consideração, tudo bem que a ciclovia é para os ciclistas e a calçada para os pedestres( pelo menos na teoria e na zona sul), mas, no caos da zona oeste do Rio de Janeiro( Tirando Barra e Recreio, onde os moradores fazem lavagem cerebral para convencer que pertencem à zona sul) não ocorre deste jeito, já que carros e barraquinhas de comida invadem calçadas e ciclovia. Logo, os pedestres são OBRIGADOS a caminhar na ciclovia. Aí, têm ciclistas que ficam "putinhos" e buzinam para sair da frente. Minha vontade é falar para eles que se desejam correr, vão à ciclovia da orla da zona sul, Barra e Recreio.

Queridos, esta ciclovia que fizeram aqui( em Jacarepaguá) é fajuta! Por isso, quero fazer um pedido, MAIS CIVILIDADE E URBANIDADE. Só assim adquirimos melhor qualidade de vida, principalmente, para exigir das autoridades obras que ajudem nossa cidade e a gente mesmo.

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“Vagabunda, aqui não é Amsterdã" 

Carta aberta para o senhor motorista de uma Hilux branca que passava pelos entornos da Faria Lima na manhã desta segunda-feira.
Este senhor achou prudente me dar uma lição quase me atropelando de propósito só para me assustar, já que eu estava bloqueando a via dos carros com a minha – ENORME – bicicleta parada ao lado direito da via enquanto o sinal estava fechado. Esta carta vai para ele que, ao me ver quase caindo no asfalto, abriu a janela e gritou “vai lamber as bolas do prefeito, vagabunda! Aqui não é Amsterdam”.
Caro, muito obrigada por me lembrar que aqui não é Amsterdam. Infelizmente eu tive essa percepção um pouco antes de você gritar esta informação porque o grau de educação das pessoas de lá não permitiria que agissem da forma como o senhor agiu. Aliás, se o senhor pesquisar um pouco, bem pouco, saberá que hoje em dia, a população de Amsterdam aderiu o uso da bicicleta como meio de transporte para diminuir o número de acidentes de carro que, só em 1971, somou mais de 3300 mortes sendo 400 delas de crianças. Como o senhor pode notar, a preocupação com a vida das pessoas lá em Amsterdam já era bem mais consciente do que a nossa, aqui no Brasil, em 2015.
Em relação ao termo “vagabunda” utilizado pelo senhor para se dirigir a mim, afirmo que foi empregado da maneira errada. O senhor pode consultar em qualquer dicionário o significado desta palavra que, para homens significa “quem vive no ócio” e para mulheres “quem tem muitos homens”. Veja bem, como eu utilizo a bicicleta para chegar no meu trabalho de forma mais rápida e saudável, logo eu não vivo no ócio. E não vejo relação nenhuma entre andar de bicicleta e ter muitos homens (o que, realmente, não diz respeito ao senhor).
Visto estes dois pontos, gostaria de fazer mais uma observação sobre “lamber as bolas do prefeito”. Em primeiro lugar, o fato de eu optar por ter uma qualidade de vida mais saudável não tem absolutamente nada a ver com a minha posição política. Em segundo lugar, se em uma pesquisa eu constatei que da minha casa para o meu trabalho eu levo uma hora de carro, 40 minutos de ônibus, 30 minutos caminhando e 15 de bicicleta, não vejo razão nenhuma para escolher o mais demorado e que prejudica ainda mais o trânsito de outras pessoas que não têm a mesma facilidade de trabalhar perto de casa e utilizam o carro (o que pode ser o caso do senhor).
E por fim, quero dizer que é por culpa de indivíduos como o senhor que, muitas outras pessoas têm medo de optar pela bicicleta como meio de transporte. Essa conscientização não tem a ver com política, mas com qualidade de vida. Pessoas estão escolhendo ir de bicicleta porque já notaram benefícios físicos e emocionais que este exercício promove. A sua atitude diminui a minha esperança de ver o Brasil como um país melhor para as pessoas, um lugar com menos “umbiguismo” e mais colaboração coletiva, um país mais consciente sobre qualidade de vida e do impacto disso para nosso bem estar, um lugar que, poderia ser MUITO MELHOR que Amsterdam, mas que ainda tá lá atrás por culpa de pessoas com a mentalidade igual ao do senhor.
Espero que o senhor tenha chegado bem ao seu destino.
Passar bem!