sábado, 12 de outubro de 2013

SIDARTA DE HERMANN HESSE




É uma história de busca, principalmente, de autoconhecimento. Sidarta almejava percorrer seus próprios caminhos e aprender sobre si e o mundo, sem ser guiado por ninguém. Por isso, saiu de casa e passa por várias experiências para se descobrir.

Recordei-me muito de um livro do mesmo autor: Demian. O livro narra a história de um jovem( Emil Sinclair) criado por pais devotos, mas, que se vê em um mundo bem distinto àquele dito por seus pais. “Queria apenas tentar viver aquilo que brotava espontaneamente de mim. Porque isso me era tão difícil?”. Os dois personagens dos dois romances buscam a verdadeira inteireza do universo, que é diverso-una. Porque quando observamos com profundidade os fatos, percebemos várias camadas que se juntam e formam o inteiro imensurável.

Em Sidarta, o protagonista está em todo tempo em transformação. Como já mencionei antes, quer viver independente, por isso percorre caminhos mais difíceis e sempre se desvia do cômodo de ser um esterno discípulo de alguém que nunca questiona seu mestre.
Hermann Hesse mergulha na sabedoria oriental para mostrar outro olhar sobre o mundo. Diferente dos intelectuais ocidentais, que geralmente tomam atitudes soberbas e utilizam referências bibliográficas para legitimar seus discursos, o escritor através do romance Sidarta mostra que a sabedoria não se encontra somente nos livros, mas na natureza. Inclusive, não adiante focar na procura na busca do conhecimento e esquecer-se das coisas simples da vida. Há um trecho que Sidarta conversa com um amigo de infância (Govinda) sobre isso:

“- Quando alguém procura muito.- explicou Sidarta.- pode facilmente acontecer que seus olhos se concentrem exclusivamente o que quer que seja, tornando-se inacessível a tudo e a qualquer coisa porque sempre só pensa naquele objeto, e porque tem uma meta. Mas achar significa: estar livre, abrir-se a tudo, não ter meta alguma. Pode ser que tu, ó venerável sejas realmente um buscador. Já que, no afã de te aproximares de tua meta, não enxergas certas coisas que se encontram bem perto de teus olhos.”
Enfim, Sidarta evidencia que a procura do autoconhecimento não está só nos saberes escolar ou conhecer as doutrinas que nos antecedem por gerações, mas sim não deixar de perceber as coisas simples da vida. Ao observar a diversidade, encontraremos o Om: “ o presente, o passado e o futura.”, a unidade.

“ ...Suavemente ressoava o canto das inúmeras vozes do rio. Sidarta olhava as águas e na corrente surgiam imagens: parecia-lhe o filho, também ele solitário, a percorrer avidamente a pista abrasada dos seus desejos juvenis. Cada qual tinha os olhos fixos na sua meta; cada qual andava fanaticamente atrás do seu desígnio; casa qual sofria, O rio cantava com voz plangente. Cantava saudades. Angustiado, dirigia-se à sua foz, e sua voz soava melancólica.”


Talvez se tivesse lido esse livro anos antes, teria outra leitura ou nem ligasse muito para ele. Mas, estou num momento que se identifica com o romance. Estou em busca da minha individualidade tão diversa e não quero seguir nenhum “guru”.