segunda-feira, 13 de maio de 2013

CAPITÃO SAIU PARA O ALMOÇO E OS MARIHEIROS TOMARAM CONTA DO NAVIO. Charles Bukowski. ( Cronica escrita em 2007)


Sempre quando posso, para no jornaleiro para ver se acho um livro de bolso interessante. Quando li este título extenso e o nome do autor, me recordei que havia lido A MULHER MAIS LINDA DA CIDADE E OUTRAS HISTÓRIAS , publicado pela mesma editora e do mesmo escritor. Os contos faziam uma crítica à sociedade americana e os personagens que viviam na marginalidade.

Charles Bukowski nasceu na Alemanha, viveu muitos anos nos Estados Unidos e morreu em 1994. Era polêmico e avesso ao “ mundo de celebridade de Hollywood”, escrevia o que dava vontade. Em CAPITÃO SAIU PARA O ALMOÇO E OS MARINHEIROS TOMARAM CONTA DO VAVIO foi o seu último livro. A estrutura da narrativa é como se fosse um diário, em que narrava seu cotidiano e os pensamentos relação à escrita e ao mundo: “...Nunca quis fama ou dinheiro. Quis escrever do jeito que queria, só isso. E tive que escrever ou ser tomado por algo pior que a morte. Palavras não como preciosidades, mas como necessidades. No entanto, quando começo a duvidar da minha capacidade de trabalhar a palavra, simplesmente leio outro escritor e então sei que não tenho que me preocupar. Minha competição é só comigo mesmo: Fazer direito, com poder, força, deleite e risco. Se não esqueça.” . Não poupou ninguém com suas críticas e análises. “ Por exemplo, todos os dias, volto do hipódromo apertando o rádio em diferentes estações, procurando música, música decente. Tudo é ruim, insípido, sem vida, sem melodia, indiferente.”.

Deste último livro de Charles Bukowski, tive a impressão dele ser uma pessoa contraditória e singular. Por um lado, detona a sociedade de consumo e o sucesso, por outro critica os que se consideram intelectuais. Ao longo de suas reflexões percebe-se que tem uma vasta carga de leitura, que é mascarada por uma linguagem coloquial, palavras ditas chulas e uma abordagem do cotidiano efêmero. Falava mal das “ modernidades de hoje em dia”, em algumas passagens havia um clima depressivo e a consciência que a morte estava próxima. Mas, ao mesmo tempo, gostava de escrever no computador e achava até inspirador. Diferente de seus editores, que consideravam o computador “destruidor” da aura artística. .

Enfim, foi interessante conhecer um pouco esta figura peculiar, controversa e sarcástica Charles Bukowski.