segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

SEGUNDA-FEIRA DE CÃO





Mal cheguei ao trabalho, já errei no primeiro instante.
Trabalho num cartório e um cliente queria reconhecer firma numa procuração particular. Deduzi que era por autenticidade e que a firma era dele. Entretanto, não era. Existem dois tipos de reconhecimento de firma: por semelhança ( qualquer um pode reconhecer sua firma) e autenticidade( só o indivíduo pode reconhecer sua assinatura perante o cartório e assinar o livro). Enfim, foi uma merda federal. Tive que cancelar selos e refazer o trabalho tudo de novo. Ainda bem que o cliente era educado.
Ao longo do dia foi tumultuado, errei recibos e minha vontade era fugir. Mas, não posso fazer isso. O trabalho me salva por me trazer a realidade. Preciso disso. Ficar perdido em devaneios é perigoso.  Necessito estar focado, para não me perder. Sou adulto e tenho que saber lidar com as responsabilidades.
Na hora de ir embora, quando tudo parecia estar tranquilo, um engarrafamento monstro. Operários estavam colocando asfalto novo. O carro estava muito quente e sabia se ficasse no veículo, só chegaria a casa às 9:00. Perguntei à minha irmã se tinha problema de ira para casa andando, já que dava para caminhar até o ponto de ônibus. Ela disse que não tinha problema. Fui.
Agora, estou com remorso. Deveria ter ficado com ela. Mas, sou meramente humano.
Não sou especial, sou só alguém que caminha uma estrada. Erro e tento não mais me equivocar. O que posso fazer é administrar minhas frustações, espaços vazios, sonhos e remorsos. A perfeição é um fardo pesado. Não vou querer mais carregá-lo. Farei o meu possível.
Ao mesmo tempo, tentarei não cobrar perfeição das outras pessoas. Pois, geralmente, o ser humano é conveniente com seus erros, mas com os do próximo...