domingo, 20 de fevereiro de 2011

O TEMPO





Ela me deu a ideia, porque falei a ela que quando terminei a faculdade senti certa pressão: – Vai fazer mestrado? Hoje em dia, as pessoas entram mais cedo, com vinte e poucos anos, você já tem 27.

Eu não sabia o que falar, dizia que iria fazer mestrado, para que as pessoas não me achassem sem perspectiva. Contudo, cheguei à conclusão de que não vou tentar nada. Não estou maduro intelectualmente, fui um aluno medíocre.

Os meus colegas que passaram foram além da faculdade, não ficaram só fazendo trabalhinhos para tirar nota boa. Cada um tem o seu tempo. Quem consegue fazer mestrado e doutorado antes de completar 30 anos, parabéns!! Tem méritos.

Porém, não vou me achar inferior a ninguém. Quero achar o meu caminho e não vou mais tentar embarcar em projetos alheios. Quero ser eu, com minhas limitações, defeitos e virtudes.

Estou fazendo uma pós-graduação Latu Senso. Acho que estou amadurecendo e almejo fazer outras especializações. Se tiver condições de me bancar e de me sustentar, quem sabe faço mestrado com sessenta. Se fizer bem feito, para mim está ótimo. Nunca consegui me enquadrar nos padrões de perfeição que a nossa sociedade exige: inteligente, profissional, bonito e versátil. Minha essência é marcha lenta e ponto final.

Por isso, quando vejo O Diário de Bridget Jones e Shrek, me identifico bastante. Os personagens, apesar das adversidades( antes tinha escrito diversidades) e de não conseguirem adequar-se às exigências da atualidade, conseguiram encontrar a felicidade plena.

Eu vou ser feliz para sempre também, só que vai ser do meu jeito!

Crônica escrita em 16/06/2006