MUSEU NACIONAL E Fahrenheit 451
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Não estou a desenvolver uma teoria da conspiração. Mas, quando soube da notícia do incêndio do Museu Nacional, fiz uma relação com o romance Fahrenheit 451.
Na história do romance, o livro é um fogo que faz as pessoas transcender, por isso se precisava do fogo para destruí-lo. Ao longo de nossa vida, quantos livros foram destruídos. Em Fahrenheit 451, a literatura é um veneno terrível para uma sociedade consumista, fria, eufórica e que só quer assistir programas televisivos sem refletir. Os livros significam a memória histórica e que mostram como a gente sempre repete os erros de nossos antepassados.
O Brasil vive um processo de sucateamento nas faculdades e na preservação dos bem culturais e históricos. Nunca houve uma gestão pública eficiente para estimular o conhecimento científico, cultural e histórico por aqui, prejudicando a memória de nosso país. As autoridades estão preocupadas com outras coisas, como, por exemplo, aumentar os próprios salários.
Este descaso com a Memória Histórica do País não deixa de ser criminosa, visto que as gerações futuras não terão mais acesso ao que aconteceu no passado. O Museu Nacional não foi o único consumido pelas chamas, o Museu da Linguagem em São Paulo, inclusive.
Estou melancólico. Lembro-me que ia ao Museu Nacional, quando criança, e ficava encantado quando me deparava com outros tempos. Era um lugar de base, todos os domingos, famílias iam para lá, davam um pulo no zoológico e faziam até piquenique na Quinta da Boa Vista, até.
Não foi só Museu que foi destruído, nossa memória também. Uma sociedade que vive no pragmatismo e não conhece sua história, não possui uma crítica autorreflexiva. Tudo será naturalizado: “ É assim mesmo, o lance é aceitar e mantesr às regras.
Quantos outros patrimônios históricos terão o mesmo destino?
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