sábado, 23 de janeiro de 2016

O JOGO DA AMARELINHA DE JULIO CORTÁZAR



Finalmente terminei de lê-lo, mas, e aí? Por isso, tento pontuar alguns aspectos que senti ao longo da leitura. Não quero fazer uma resenha, seria muita pretensão minha, podem procurar na Internet, há um vasto material crítico.

Agora, por que não posso comentar sobre o livro? Falar das minhas impressões? Não posso comentar simplesmente sem pretensão acadêmica ou intelectual? Direi o que penso no meu espaço virtual. “Cada um no seu quadrado”, não me meto no espaço de ninguém e ninguém se mete no meu. Entrei num labirinto de ideias que tentei acompanhar e me percebi como sou ignorante. No início do livro, Cortázar mostra que a história é várias, sobretudo duas e o leitor pode escolher uma das possibilidades. Diferente de uma literatura convencional que mostra tudo ao leitor.

“ TABULEIRO DE DIREÇÃO O primeiro livro deixa-se ler na forma corrente e termina no capítulo 56, ao término do qual aparecem três vistosas estrelinhas que equivalem à palavra FIM. Assim, o leitor prescindirá sem remorsos do que virá depois. O segundo livro deixa-se ler começando no capítulo 73 e continua, depois, de acordo com a ordem indicada no final de cada capítulo. Em caso de confusão ou esquecimento, será suficiente consultar a seguinte lista...”

O que compreendi foi que o autor quis fazer uma ruptura com a literatura clássica. Não quis construir uma narrativa linear e com verossimilhança, visto que a realidade em que vivemos não é tão certinha e lógica como nos romances tradicionais. Pelo contrário, este mundo é absurdo, caótico e surreal. Os personagens não são heróis e nem vilões, mas pessoas perdidas que vivem por aí sem rumo à procura de algo que não sabem definir. O protagonista Oliveira apesar de ser um cara culto sempre se remete ao jogo da amarelinha, pois através do lúdico para encontrar o céu e encontrar Maga:

“Assim, tinham começado a andar por uma Paris fabulosa, deixando-se levar pelos signos da noite, adotando itinerários sugeridos por uma frase de clochard, por uma água-furtada iluminada no fundo de uma rua escura, detendo-se nas pracinhas muito íntimas para se beijarem nos bancos, ou para olharem o jogo da amarelinha, os rituais infantis da pedrinha e o salto sobre um pé para entrar no céu.”

 Além do tabuleiro de leitura, o livro se divide em duas partes Do lado de lá e De outros lados, expondo com a realidade é surreal e não cartesiana. O jogo da Amarelinha colocou-me no meu devido lugar. É um tipo de livro que desconstrói a ideia das GRANDES VERDADES ABSOLUTAS.

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