segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

MEGAMENTE (2010)



É um filme de desenho animado computadorizado que como outros de sua geração descontroem os valores da sociedade, principalmente o bem e o mal. Não se pode esquecer a animação Shrek, um dos primeiros inverter valores e questionar a relação entre a beleza e a bondade ou a maldade com a feiura das histórias infantis clássicas.

Em MEGAMENTE, O vilão Megamente (Will Ferrell) almeja eliminar seu oponente Metro Man, dominando em seguida a cidade de Metro City. Entretanto, quando conseguiu, viu-se num vazio profundo, já que não tinha nenhum herói para combater.

A história expõe que desde o início o “vilão” foi marginalizado quando criança por for diferente, ao contrário do colega de classe bonito e cheiro de poderes, que futuramente se transformaria em Metro Man.

O curioso que este desenho e de outros se sua geração mostra como os valores maniqueístas estão sendo questionadas pela sociedade de hoje. Ao observarmos a História, desde a queda do Muro de Berlim houve uma pulverização e a ideia sólida do mundo dividido entre o bem e o mal( dependendo do ponto de vista) dissolveu-se.

Portanto, o desenho como outros pretendem mostrar que todos nós somos bandidos e mocinhos. O ser humano é muito mais complexo do que estereótipos. E que o verdadeiro vencedor e herói, não é o dotado de beleza e superpoderes, mas que consegue superar seus defeitos para ser tornar um indivíduo melhor.


***

Poema em linha reta


Fernando Pessoa
(Álvaro de Campos)


[538]


Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.




E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.




Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...




Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,




Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?




Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?




Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.