domingo, 2 de fevereiro de 2014

A MORTE E A MORTE DE QUINCAS BERRO DÁGUA JORGE AMADO (1961)



Quando comecei a ler a novela, pensei que possuímos duas histórias íntimas: A oficial e a não oficial. A primeira é construída por registros como fotos, certidões e RG. A segunda, vem através da intuição, da imaginação e dos sonhos. Uma completa a outra.

A história conta sobre as mortes de Joaquim Soares da Cunha, um cordato homem e família e o vagabundo Quincas Berro Dágua, que são a mesma pessoa, entretanto avessos. A família almejava regatar a imagem do homem íntegro, seus amigos de esbórnia queriam fazer a última comemoração da existência de um grande farrista e marinheiro que for Quincas.

Um dia, já de meia idade, Joaquim Soares da Cunha decidiu largar a família e a vida regrada para viver sua outra personalidade, a do vagabundo Quincas Berro Dágua. Encontram-se justamente na morte, em que há uma disputa entre a família e os companheiros do vagabundo.

No início da novela, mostra a questão da imprecisão dos acontecimentos.


“ ATÉ HOJE CERTA CONFUSÃO em torno da morte de Quincas Berro Dágua. Dúvidas por explicar, detalhes absurdos, contradições no depoimento das testemunhas, lacunas diversas. Não clareza sobre hora, local e frase derradeira.”

Então, comecei a pensar sobre a História da humanidade, quantas interpretações existem sobre os fatos. Será que a História oficial dá conta de tudo com seus registros de documentos e fotos? Ou na realidade a memória afetiva de uma pessoa que viveu a época, uma obra de arte ou o imaginário da cultura popular proporcionam uma visão mais ampla sobre os fatos, discordando ou complementando a interpretação dos acontecimentos.  

As versões que construíram do personagem Joaquim Soares da Cunha\ Quincas Berro Dágua transformaram-se em um labirinto de espelhos, que leva ao questionamento de quem foi ele ou o que aconteceu com suas duas mortes?

Confesso não estava muito interessado de ler o livro, porém, quando comecei a ler, percebi que a história tem um tema bem interessante e com um texto simples,  mostra que podemos ser diversos e  não únicos como a História Oficial diz.