domingo, 4 de novembro de 2012

Tonio Kröger, de Thomas Mann




É uma novela que conta a vida de um jovem dividido e contraditório, que sempre está em desencaixe com o mundo. Pai nórdico e rígido e uma mãe morena e vibrante. 

“ Meu pai, sabe, era de um temperamento forte nórdico: considerado, minucioso, correto, por puritanismo inclinado à melancolia; minha mãe, de instinto de sangue exótico, bonita sensual, ingênua, ao mesmo tempo displicente e apaixonada e de um desmazelo impulsivo.”

Desde criança, sentindo-se estranho se refugiou na poesia. Algo repulsivo para o ambiente austero em que vivia. Teve um amor platônico por um amigo e, depois, por uma jovem. Ambos loiros e belos, diferente dele.

A novela mostra a formação do protagonista e como ele tenta através da arte construir uma identidade própria. Pois, apesar de diferente, ele era um burguês. Não repudiava a beleza burguesa, pelo contrário, admirava-a. 

Mas, ao mesmo tempo vivia uma vida de boemia e no desejo carnal. Como se a imagem sólida do pai e voluptuosidade da mãe fundissem nele.

Percebe-se ao longo da narrativa uma construção de um conceito, em relação à arte: 

“ O dom para o estilo, forma de expressão já pressupõe esta fria e descontente relação para com a humanidade. Pois o sentimento são e forte- isto está confirmado- não tem gosto. Morre o artista quando se torna homem e começa a sentir...”

Para ele o artista está distante das pessoas comuns. O primeiro simula através das manifestações artísticas o mundo ideal. Enquanto o segundo vive a banalidade das coisas, sem pensamentos. 

Para Tonio Kröger, o verdadeiro artista é um amaldiçoado, o qual possui um sentimento de estranheza e separação em relação aos outros.
Entretanto, numa carta  para uma amiga pintura, revela que é realmente um burguês. 

Apesar de ser um poeta à margem, ele admira as pessoas que vivem o trivial, principalmente, os belos. Sobretudo, o amigo da juventude( que se apaixonara pela primeira vez) e  a jovem  que teve sonhos românticos.