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Passeio ao Farol de Virginia Woolf

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O que dizer sobre o livro? Não quero enganar a mim mesmo, copiando e adaptando com minhas palavras resumos sobre o romance encontrados na internet. Confesso, que já fiz isso várias vezes, sou um farsante... Mas, só me engano.
Nesse livro como em As ondas( da mesma autora), a narrativa revela as várias camadas dos personagens, por isso, aproxima-se da realidade. Diferentes vozes e pensamentos profundos ecoam pelas páginas, expondo como as pessoas são muito mais do que aparentam. 
Nos dois romances não há descrição dos personagens, pelo contrário, por meio de monólogos interiores, faz-se uma viagem nos pensamentos e devaneios mais densos de cada um. 
Apesar da minha falta de cultura e ficar à deriva no romance, o que gostei de ler Ao Farol foi sair da zona de conforto e encarar meus pensamentos mais profundos. 
 Nada é tão simples como parece. Sempre há tormentas e abismos em uma paisagem aparentemente tranquila.

Hamlet de William Shakespeare

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Neste sábado, conseguimos ver a peça. Na semana retrasada, eu e minhas companheiras de passeio não conseguimos, os ingressos estavam esgotados. Não ficamos decepcionados, pois  assistimos ao espetáculo na Boca do Cão.
Esta adaptação de Hamlet é interativa e uso recursos visuais modernos, aproximando-se do público contemporâneo. Os atores saem do palco e vão ao público e achei isto bem bacana, porque não há uma divisão transparente entre o palco e o público. Bem, eu gosto desta atualizada, porque a plateia do século XVII não é a mesma do século XXII.
Os intérpretes atuaram visceralmente, inclusive, a atriz que interpreta Hamlet. Ela mostrou todo o conflito do personagem de ser ou não ser e vingar a morte suspeita do pai. 
Depois do espetáculo, comecei a pensar como a peça é tão forte e ultrapassa o tempo. Tantas adaptações desde sua primeira (1609). De repente, lembrei-me de uma crônica de Clarice Lispector, que aborda sobre o filme de Bergman( Persona). Há uma citação que adaptei para os…

O pequeno príncipe

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Por esses dias, assisti a um filme de 2015 que se inspirava na história original do "principezinho" que morava em um asteroide 612. Depois de vê-lo resolvi baixar o livro e percebi como uma boa história faz refletir sobre a sociedade, independente do gênero literário. Inclusive, é uma bobagem ter preconceito em relação a qualquer estilo.
No filme, uma menina encontra o excêntrico Aviador, que a introduz ao mágico mundo do Pequeno Príncipe. Antes, ela só queria saber de estudar e seguir os passos da mãe metódica e trabalhadora. 
Um fato que achei interessante é que a casa do aviador era cheia de vegetação e de passarinhos, diferente das outras casas da vizinhança, homogêneas e cimentadas. A partir daí o desenho capta a essência do livro de como à medida que se cresce, não se dá importância "as pequenas coisas", a fim de correr na busca de prestígio e grana.
 Nunca deve esquecer-se do nosso lado criança, caso contrário, tudo se torna chato e cinzento demais. Precisa-se…

NA BOCA CÃO

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Primeiro de tudo, confesso minha ignorância em relação ao teatro que se se produz atualmente. Principalmente, produções que não tem artistas muito “famosos” da televisão. Desde pequeno, sempre fui ligado em novelas, filmes e quando me tornei adulto, comecei a me interessar por literatura e outras artes. 
 Quando cheguei ao CCBB  do Rio  de Janeiro, eu e minhas companheiras de passeio queríamos assistir a versão da peça Hamlet, já conhecíamos mais ou menos a história. Inclusive, vi umas duas versões cinematográficas. 
Os ingressos se esgotaram e decidimos de momento comprar os tickets de outra peça, que era uma ópera contemporânea. Concluímos experimentar e saltar no escuro. Por que não? Se não gostássemos, beleza, pelo menos, sairíamos da zona de conforto. Ainda mais, que ópera me remetia àquelas exibições que os artistas cantavam em italiano e com cenários de épocas antigas. Pelo visto, mostrei como tenho uma vasta cultura que se resume a vários clichês... (Bem, abafa o caso.)
" A …

Sobre a brevidade da vida- Sêneca

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Como lida com o tempo? Acha que passa rápido demais? Desperdiça-o ou aproveita a cada instante? Sei que são perguntas óbvias que todos já tiveram em algum momento. Mas, quando li esta obra de Sêneca compreendi que os questionamentos sobre o tempo são atemporais, apesar de cada época ser diferente.
O gênero literário do livro é epistolar a certo Paulino e através das cartas, Sêneca desenvolve sua filosofia de vida. “ A maior parte dos mortais, Paulino, lamenta a maldade da Natureza, porque já nascem com perspectiva de uma curta existência e porque os anos que lhes são dados transcorrem rápida e velozmente. De modo que, com a exceção de uns poucos, para os demais, em pleno esplendor da vida é que justamente esta os abandona.”. Criticava o comportamento dos poderosos de Roma que se parecem muito com os de hoje em dia. Era filósofo, dramaturgo, político e escritor e foi um dos expoentes intelectuais de Roma do início da era Cristã. 
Sêneca desenvolve um ensaio de que a vida não é cur…

Um bom exemplo...

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Depois de tanta mediocridade, corrupção e egos inflados, assisti ao documentário sobre a vida da psiquiatra Nise da Silveira. Realmente, que mulher maravilhosa em todos os sentidos. Além de culta era intuitiva e essas características a ajudaram a revolucionar a psiquiatria. 
 Ela iniciou tratamentos mais humanistas e a prestar a atenção nos mínimos gestos dos seus pacientes, não os tratando como consequências de um surto. Ajudou-os a se reencontrarem por meio da arte. Outro fato que me emocionou foi ver as pinturas de seus pacientes. São fortes e mostram um pouco as essências deles. 
A arte feita de um jeito instintivo e as obras pareciam vivas. Nise percebeu que, por meio dessas obras, os pacientes contavam o que aconteciam com eles, mas, de um jeito não lógico. De certo aspecto, ela proporcionou um espaço para que os loucos pudessem ter uma voz. Antes, eram marginalizados, torturados e abandonados nos hospícios.  Poxa vida, confesso que fiquei com inveja da Nise da Silveira e de seus…

Se nada der certo...

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Serei amigo de pessoas influentes para entrar na política. Farei fortuna, pois só legislarei para os poderosos, fodam-se os pobres. Só servem como massa de manobra. Para quê educá-los? São mais vantajosos ignorantes. Quanto mais flexibilidade nas leis trabalhistas e na aposentadoria, melhor para meu bolso. Além, de usar minha influência para meus "amigos" empresários ganharem licitações e empréstimos milionários.
 Direi que sou a favor da família, da moral e que sou o mais honesto de todos. Enquanto isso, farei muitas negociatas e terei tanta grana que nem meus bisnetos precisarão trabalhar. Irei espalhar milhões em todos os cantos do planeta e minha fortuna será imensurável, mesmo que me prendam. Ninguém conseguirá rastrear tudo, sou muito esperto e sei fazer muita grana.
Muitos podem me esculachar, mas, na verdade, sentem inveja. Será que esta raiva é um desejo secreto de ser que nem a mim? Será que são tão virtuosos assim? Não adianta fugir contra o instinto de ter hegemoni…